Catila queria estudar, mas, mesmo a trabalhar, já só conseguia pagar o quarto onde vive e uma alimentação muito básica. Hugo queria trabalhar, mas sente que, por ser portador de deficiência, muitas oportunidades lhe são negadas e o empurram para a dependência socioeconómica. Maria reformou-se, os rendimentos baixaram, deixou de conseguir pagar a renda de casa e, de um dia para o outro, ficou a viver num abrigo.

“(1%) por Todos” ,a nova campanha da AMI desafia o público a colocar-se no lugar de quem recorre, hoje, a apoios sociais. Pessoas como a Catila, o Hugo, a Maria, o José e o Luís, com percursos de vida normalizados e que, em determinado momento, perderam rendimentos, casa ou precisaram de apoio para estudar e concretizar sonhos. Outros percursos ficaram marcados desde a infância. Por falta de rede familiar viram-lhes negado o acesso a um percurso de vida que permite quebrar ciclos de pobreza entre gerações.

No centro destes casos que hoje representam, não só a população apoiada pela AMI, mas a população em situação ou risco de pobreza em Portugal, está a leitura socioeconómica que ocupa o debate público: a crise na habitação provocada pela descontrolada especulação imobiliária e o aumento do custo de vida, devido ao elevado custo dos géneros alimentares. Um contexto em que a consignação de IRS tem um profundo impacto, no financiamento de apoios sociais e projetos.

Desde 2001, a AMI é uma das mais de 5.000 instituições aptas para receber consignação de IRS, um apoio social que está nas mãos de todos os contribuintes e sem qualquer custo. Em 2025 foi possível, com o valor angariado a partir da consignação de IRS suportar parte dos custos da missão em Portugal com o financiamento de 3.000 consultas de apoio social, 11.700 refeições quentes, 7.800 banhos e lavagem de roupa e 61 bolsas de estudo para estudantes universitários.

Em 2026, a AMI espera manter a missão, com algo que, segundo Ana Ramalho, diretora do Departamento de Ação Social da AMI, “representa um gesto simples, mas com um impacto enorme na vida das pessoas mais vulneráveis: em poucos minutos é possível transformar parte de um imposto obrigatório num contributo direto para melhorar vidas”. Mas, para tal, também é preciso apostar na literacia, para esclarecer como a fiscalidade e ação social se podem e devem interligar.

Áreas que, à primeira vista, parecem impossíveis de correlacionar, mas “ao escolher consignar o IRS à AMI, cada pessoa está a participar ativamente na construção de uma sociedade mais justa, solidária e inclusiva”.

São mais de 10.000 os beneficiários da AMI em Portugal, que, anualmente, têm acesso, através dos Centros Porta Amiga, a acompanhamento psicossocial, apoio alimentar, serviços de higiene e rouparia, apoio à educação para crianças e jovens, encaminhamento para cuidados de saúde primários e para programas de apoio à habitação junto das entidades competentes. Serviços prestados de norte a sul e nas ilhas, em parte financiados com a consignação de IRS.

Por isso, este ano é “1(%) por Todos!”.  Pela Catila, pelo Hugo, pela Maria, pelo José, pelo Luís, por todos os que não têm melhores oportunidades. É “1(%) por Todos” e sem custos para ninguém.